sexta-feira, 2 de setembro de 2011

BÊNÇÃO DA IGNORÂNCIA

Quando eu era pequeno o mundo era muito mais simples, tudo era festa e a maior (e única) responsabilidade que tinha era de ir para a escola todos os dias e prestar atenção nas aulas. Agora tudo é diferente: trabalho, namoro, amigos, projetos, estudos, atividades, grupos, perguntas, dúvidas, pressão... um mundo inteiro de responsabilidades e, nos poucos momentos de fôlego, posso parar pra lembrar como a vida era fácil antes. Quanta inveja de mim mesmo!

Olhando pra outras pessoas, percebendo o quanto algumas delas desconhecem e o quanto eu mesmo desconheço sobre as coisas, fico ponderando se a ignorância é algo realmente ruim no final das contas. Afinal, criamos esse paradoxo de que o "certo" a se fazer é sempre buscar o conhecimento mas, quando o alcançamos, por vezes desejamos que não tivéssemos alcançado.

Por outro lado, também tenho a impressão de que mesmo com esse discurso de "busque conhecimento", no nosso íntimo o que queremos mesmo é evitar o stress que ele trará. É tão mais fácil viver na ignorância, tão confortável! Mas atire a primeira pedra quem concordar com isso sem admitir que é inquietante imaginar uma vida sem a busca pelo desenvolvimento trazido pelo saber. Confuso, realmente confuso...

Outra característica interessante dessa anomalia criada por nós é que ela passa praticamente desapercebida. Aqueles que são ignorantes sobre o assunto estão perdoados e os demais simplesmente a negligenciam ou chegam à conclusão de que não há solução (ou que é muito difícil encontrar uma). Nós, com toda nossa adaptabilidade, nos acostumamos com isso e paramos de nos preocupar.

Sei que é impossível saber de tudo, por isso sempre seremos ignorantes de certa forma e, além disso, existem coisas que escolhemos conscientemente não saber, não buscar, não descobrir, pra evitar sofrimento. E é assim, limitado como ser humano que sou, que continuarei vivendo: ignorante e feliz!

Made of Steel

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