segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

O HOMEM QUE CHORAVA PÉROLAS

Numa hora qualquer duma madrugada qualquer, por um motivo qualquer, acordei. O despertador não tocou, nenhum barulho alto, ninguém me chamando... nada! Apenas despertei, era isso o que deveria acontecer. 

Levantei da cama. Olhei o relógio para constatar que ainda demoraria pra amanhecer e ir pro trabalho. Fui até a cozinha tomar um copo d'água. Senti fome. Preparei rapidamente a mesa. Peguei prato, talheres, pão e margarina. Como de costume, liguei a TV para assisti-la enquanto comia. E foi assim, sem aviso, sem motivo, sem querer, num momento improvável, que ouvi uma das conversas mais interessantes dos últimos tempos.

Estava passando um filme que não parecia ser bom, daqueles que só passam durante a madrugada, que mostrava a vida de dois garotos afegãos. Não era uma produção hollywoodiana, apenas mais um "filme B" de baixo orçamento. Ainda assim, valeu a pena pelo seguinte diálogo:

Garoto A: – Estou escrevendo um livro sobre um homem que as lágrimas se transformam em pérolas!
Garoto B: – Que legal! Como é a história?
A: – O homem é muito pobre, tem uma vida miserável, por isso chora muito. Um dia, um santo fica com pena dele e lhe dá uma bênção: suas lágrimas começaram a virar pérolas!
B: – Hmm... e o que acontece com esse homem?
A: – Por causa das pérolas, ele deixa de ser pobre. Mas deixando de ser pobre, não tem mais motivos pra chorar, então mata a própria esposa para chorar bastante e ganhar mais pérolas!
B: – Mas se ele queria tanto chorar, por que simplesmente não começou a cortar cebolas?

Nessa hora percebi: acordei para aprender uma lição, e, graças à sabedoria de um pequeno garoto afegão, não precisei chorar para isso.

Made of Steel

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

OS VERDADEIROS FENÔMENOS, IMPERADORES E GLADIADORES

Vivemos numa sociedade cheia de conceitos distorcidos. O certo por vezes parece errado e o errado quase sempre parece certo. Exigir seus direitos é "ser chato", falar a verdade é "ser inconveniente", demonstrar seus sentimentos é "ser fraco". Mas é claro que, paradoxalmente, o discurso que é repetido papagaiosamente é o de que temos que ser bons e justos, pensando no bem-estar do próximo. O que há de errado conosco, afinal?

Recentemente assisti uma palestra muito interessante encabeçada por um oficial da Polícia Militar de São Paulo. Ao contrário da imagem estereotipada que temos de policiais, o cara era um verdadeiro showman! O tema era inatividade militar, nada muito cativante, mas ele foi se empolgando e acabou tocando num assunto intrigante: como as pessoas negligenciam as coisas verdadeiramente importantes e valorizam o supérfluo. Usarei a própria fala dele para explicar:

"O camarada chega em casa, suado e fedido depois de jogar futebol com os amigos no domingo. Senta no sofá, coloca as botinas sujas em cima da mesa de centro, puxa o controle remoto e liga a TV. E o que ele vai assistir na TV? Futebol, é claro! A esposa aparece na sala e antes mesmo de dizer 'oi' o camarada já pergunta se tem comida feita porque ele está com fome. Dá 16h, o jogo começa, e ele fica vidrado! Piscar significa perder um lance que pode ser um gol! Não, ele não pode piscar!

Se o time ganha, ele vibra, pula, grita, corre, ajoelha, agradece, sorri. Se o time perde, ele grita, xinga, briga, bate na parede. Quanta emoção, quanta energia... pelo futebol. Se o time é campeão, vai correndo comprar uma camiseta pra dar de presente pro filho, paga uma rodada de cerveja pra todos os amigos. Os ídolos que o levam à loucura são conhecidos como Fenômeno, Imperador, Gladiador... e coitado de quem disser que tal jogador não é o maior de todos os tempos! O camarada vira um bicho!

Mas e quando não tem jogo? Onde está toda a energia? O filho aparece com um boletim escolar só com notas 10, e o que o nosso camarada faz? Nada! No máximo um 'parabéns filho'... E pra esposa? Será que ele olha pra ela e diz carinhosamente 'você é um fenômeno, minha imperatriz'? Duvido muito!"

Essa é a realidade no "País do Futebol" e certamente existe algo equivalente nos demais. Por isso, meus caros, sugiro que parem de idolatrar as pessoas erradas antes que seja tarde. Afinal de contas, ao contrário da sua esposa, seu filho, seus pais, irmãos e amigos, o Fenômeno, o Imperador e o Gladiador não sabem quem você é e se importam menos ainda.

Ver seu "time de coração" vencer pode ser ótimo, mas isso não valerá de nada se você mesmo for um perdedor.

Made of Steel

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

UM RAPAZ, UMA CASA E UMA FLORESTA

Um rapaz vivia confortavelmente dentro de uma bela casa. Ele se sentia feliz, aconchegado, satisfeito. Seu mundo se resumia àquela casa, tudo que precisava estava ali, não tinha do que reclamar. Sua vida era tão feliz, era simplesmente maravilhoso, invejável. Foi então, numa tarde qualquer, que tudo mudou.

Ele estava perto da lareira, admirado o fogo, calado, ouvindo apenas os sons da lenha estalar por causa das chamas. De repente, um som pesado e grave imperou no salão: estavam batendo à porta. Knock knock knock! O som não parava. Knock knock knock! Ele não queria abrir. Knock knock knock! O fogo parecia bem mais interessante. Knock knock knock! Nada que tinha fora da casa valia a pena. Knock knock knock! Enfim, abriu a porta.

Para sua surpresa, não havia ninguém do outro lado. Porém, logo que moveu a pesada porta de madeira, uma forte brisa entrou na casa e, de tão potente, apagou a lareira. Nesse momento ele notou, não era tarde, mas sim noite. Agora, sem a luz do fogo, a casa parecia assustadora. Sem o calor, sentiu como a casa era fria. Não tardou e começou a enxergar vultos arrastando-se nos cantos, ouvia a casa gemer como se tivesse vida própria. Eis que ele percebeu: a casa sempre tinha sido daquele jeito horrível e cruel, mas o fogo criara uma ilusão tal que o tinha envolvido completamente. Agora não havia mais chama, agora ele podia ver.

Cansado daquele cenário deprimente, o rapaz saiu e, pela primeira vez, percebeu o que tinha negado durante tanto tempo. Ele descobriu, finalmente, como o mundo fora da casa era belo! O telhado de barro e madeira foi substituído por um céu noturno estrelado. As paredes de tijolo e cimento agora não existiam e davam lugar a uma floresta majestosa. O chão sob seus pés era de terra, não um tapete, e podia sentir a vida pulsando ali. 

Maravilhado, começou a caminhar lentamente na direção da floresta. A cada passo que dava a casa parecia cada vez mais grotesca, definhando, chamando-o como se sentisse que estava perdendo algo que considerava proprietária. Seu chamado transformou-se em gritos, berros, urros, guinchos e grunhidos. Amaldiçoava a tudo e a todos, até que, por fim, percebendo que não podia fazer mais nada, tentou negar que algum dia alguém vivera ali, fingindo que o rapaz sequer existia. Ele, de longe, só podia lamentar ver o lugar que um dia chamou de "lar" reduzir a si mesmo àquele estado tão triste.

Pouco tempo depois, o rapaz olhou para o céu e vislumbrou a lua. Ficou tão encantado que continuou caminhando com o olhar fixo na rainha do céu noturno. Quando finalmente voltou para o solo, notou que estava perdido no meio da floresta, não sabia onde estava. Porém, não sentiu medo, de alguma forma sabia que aquele era o lugar onde deveria estar. 

Ficou ali, parado, até que viu uma criatura se aproximar. Primeiro enxergou os olhos brilharem na escuridão, depois sua silhueta felina, a leveza do caminhar, a harmonia dos movimentos. Por fim, iluminado pelo luar, pode ver a beleza da fera que se apresentava: um puma. Sem cerimônias, o animal se aproximou e o rapaz não tinha medo, tinha a sensação de que aquele felino tão belo não o machucaria. Ele estava certo.

A noite já estava avançada, o frio tomou conta do corpo do rapaz, o fez tremer. O puma, que o olhava profundamente nos olhos, veio até ele e, sem avisos, usou o próprio corpo para aquecê-lo. Nesse momento o rapaz finalmente entendeu: mais uma vez estava confortável, feliz, aconchegado, satisfeito, mas não precisava mais do fogo enganador para isso. Melhor, tinha o céu com estrelas e a lua para admirar e, com o puma ali ao seu lado, não estava sozinho. De vez em quando ainda consegue ouvir a casa resmungando, distante, mas está num lugar bem melhor agora.

Made of Steel

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

TEMPO INDIVIDUAL

Impressionante como locais de grande movimentação coletiva são ótimas fontes de inspiração para filosofar! Quase tão recorrente quanto acordar para um novo dia, andar no metrô de São Paulo me proporciona diversos momentos em que algo chama minha atenção e leva meus pensamentos para longe. Dessa vez o que assunto é o tempo (ou ritmo) que cada pessoa tem.

Estava apressado, andando numa velocidade acelerada, precisava pegar "aquele" trem senão me atrasaria para um compromisso. Foi então que no meu caminho vi se aproximando um senhor bem idoso, curvado em sua bengala, com suas passadas lentas e curtas. Já éramos antagonistas por si só, mas para minha surpresa fui ultrapassado rapidamente por um rapaz que corria o mais rápido que podia. Passou por mim, sequer notou o velho, estava focado no seu objetivo, que era o mesmo que o meu.

Muito interessante essa relação: 3 indivíduos que estavam no mesmo lugar, na mesma hora, com o mesmo destino, mas ainda assim com percepções completamente diferentes porque tiveram tempos diferentes para analisar o que se passava ali. O rapaz correndo sequer podia raciocinar qualquer coisa que não fosse o caminho mais rápido até o trem, preocupando-se em escapar dos inúmeros obstáculos que encontrava no percurso. Eu, caminhando rapidamente, conseguia ver melhor as coisas, observar detalhes, perceber o que acontecia, mas provavelmente não reconheceria um amigo passando a alguns metros de distância, se acontecesse. O idoso, por sua vez, poderia até mesmo tentar decorar as feições daqueles que passavam, sentir cheiros de perfumes passageiros que estivessem por perto. Realmente, curioso.

Curioso é perceber, então, como isso é verdadeiro em nossas vidas. Quantas vezes não deixamos de apreciar certos momentos por causa de uma pressa muitas vezes desnecessária? Aquele beijo matinal rápido do marido atrasado que tanto vemos em filmes, por exemplo, como seria seu dia se ele se permitisse um beijo caloroso e apaixonado em troca de 1 ou 2 minutos a mais de espera? E aquele bolo que não teria queimado se você tivesse sido mais rápido em desligar o forno? Hoje é tudo tão frenético, desperdiçamos muita coisa por isso! Afinal de contas, são as tartarugas que vivem 100 anos, não as lebres!

Cada um tem seu ritmo, cada corpo trabalha num tempo diferente, isso é indiscutível, mas meu questionamento está no exagero. Temos que parar com essa mania de achar que "otimizar o tempo" seja preencher todos os segundos do seu dia com atividades sem margens para respiros. Certas coisas da vida precisam de um pouco mais de paciência para atingirem seu ápice.

Foi assim, depois de "perder um pouco do meu tempo" pensando que percebi: quem será que aproveita melhor a vida? O rapaz corredor que está "otimizando" seu tempo ou o senhor que efetivamente consegue sentir e perceber simplesmente porque se permite "desperdiçar" parte do pouco tempo de vida que lhe resta?

Acima de tudo: de quanto tempo as pessoas precisarão para perceber isso?

Made of Steel

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

A MAIOR ESTUPIDEZ HUMANA É EXISTIR

"O ser humano é um vírus" dizem alguns estudiosos. Pensando bem, eles estão quase certos! Ao meu ver, não somos um vírus, mas sim um câncer. Afinal, até onde minha ignorância sobre medicina me permite saber, câncer é um tipo de anomalia celular, enquanto vírus são criaturas vindas de fora que de alguma forma vão parar dentro do nosso corpo e daí começam a fazer estragos. Como nós não viemos de outro planeta e (dentro da MINHA crença) nem fomos criados a partir do capricho de uma divindade, mas sim da evolução que ocorreu durante séculos, então nascemos no próprio planeta e, enlouquecidos, estamos tentando destruir o local onde vivemos.

Além do câncer, podemos fazer várias analogias interessantes sobre nosso papel no grande "organismo" que é nosso planeta. Muitos estereótipos criados por nós mesmos e que, ironicamente, são tão verdadeiros para nossa condição que sequer percebemos. Podemos ser "a ovelha negra" das espécies, por exemplo. Ou quem sabe até "o rebelde", aquele que quer "lutar contra o sistema". Também tem o "emo", que fica choramingando a própria desgraça sem perceber que pra mudar essa condição basta um pouco de força de vontade. Podemos ser também os "playboys" que se acham melhores que as demais espécies por algum motivo fútil.

Aliás, o que nos faz acreditar que somos superiores, afinal? Talvez nossos polegares opositores tão práticos. Talvez nossa inigualável capacidade bípede de se locomover. Pode ser também nosso costume de usar tecido para nos proteger (algo que chamamos de "roupa"). Certamente nossa inteligência super-desenvolvida, capaz de nos proporcionar todos os avanços e descobertas tecnológicas desde a roda até o último lançamento da Apple Inc. Obviamente, o simples fato de termos consciência da nossa superioridade já nos torna automaticamente superiores aos demais animais que vivem por aí. Estamos tão acima que nos tornamos praticamente intocáveis!

Grande piada! Temos carros, mas nos desesperamos com a presença de uma barata. Temos matemática, filosofia e química, mas nos suicidamos porque alguém disse na TV que o mundo acabaria em poucos dias. Temos cidades, mas somos obrigados a criar apresentações de PowerPoint que mostrem pras pessoas a importância de preservar o meio ambiente. Temos cirurgias para os olhos, mas somos cegos em perceber que não é o planeta que está implorando por salvação. Quem está implorando somos nós mesmos.

Tal qual um câncer, não há cura para nós. Pelo menos por enquanto. Um dia a Terra encontrará a resposta e, sem avisos, transformará esse câncer num capítulo dum livro de História que não terá nenhum grande estudioso para ler. E mesmo que não encontre, ao contrário de nós quando estamos terminalmente doentes, continuará existindo até que seu câncer destrua a si mesmo e desapareça. Provando, assim, que os humanos não eram tão superiores, afinal.

Made of Steel

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

O GRANDE ESPETÁCULO DA DESGRAÇA ALHEIA

Muitos aspectos do comportamento humano me incomodam. Alguns não fazem sentido ou não tem nenhuma explicação lógica aceitável. Porém, para alguns deles até encontro um motivo ou outro que, por mais ridículo, cruel, paradoxal e repugnante que possa ser, ainda assim faz com que nossas atitudes tenham sentido.

Um desses casos é a constatação óbvia do quanto que a desgraça alheia chama a atenção das pessoas e, quase sempre, torna-se um show. Nem vou perder meu tempo criticando programas de televisão que exploram o sofrimento, pois esse tipo de programa só existe porque tem público para eles. Portanto, os verdadeiros culpados continuam sendo nós mesmos.

Quem nunca esteve dentro de um ônibus ou carro e, ao passar perto de um acidente, esticou o pescoço tentando ver o que aconteceu realmente e, com sorte, talvez até enxergou um pedaço da perna decepada na batida? E como não admirar a beleza do Coliseu, lugar onde tantas pessoas morreram para divertir o povo?

A verdade é essa: nos divertimos vendo outros sofrerem. Seja numa pequena vingança pessoal, na discussão de um casal no metrô, no noticiário policial ou numa 3ª Guerra Mundial, estamos sempre dispostos e interessados quando o assunto é dor. Mas nunca a nossa própria dor, porque é incômoda, apenas as dores que atingem os outros nos importam. E talvez, inconscientemente ao menos, até estejamos desejando isso.

Nós, seres humanos, criamos culturas inteiras para fingirmos que somos "bonzinhos", que buscamos sempre o melhor para nós e para as demais pessoas que vivem na nossa sociedade. Que ridículos somos nós, seres humanos, que temos total consciência da nossa verdadeira monstruosidade e, ainda assim, insistimos em vestir toda manhã nossas peles de cordeiro e, por cima dela, paletó e gravata para dar mais seriedade às palavras de harmonia e paz que dizemos apenas da boca pra fora.

Sendo assim, sugiro que deixe a pipoca temperada com sadismo preparada, sente-se na sua confortável poltrona feita de moralismo vazio e relaxe! Minha revolta certamente não é suficiente para saciar sua vontade, mas existem outros bastante dispostos a proporcionar um grande espetáculo!

Made of Steel

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

BÊNÇÃO DA IGNORÂNCIA

Quando eu era pequeno o mundo era muito mais simples, tudo era festa e a maior (e única) responsabilidade que tinha era de ir para a escola todos os dias e prestar atenção nas aulas. Agora tudo é diferente: trabalho, namoro, amigos, projetos, estudos, atividades, grupos, perguntas, dúvidas, pressão... um mundo inteiro de responsabilidades e, nos poucos momentos de fôlego, posso parar pra lembrar como a vida era fácil antes. Quanta inveja de mim mesmo!

Olhando pra outras pessoas, percebendo o quanto algumas delas desconhecem e o quanto eu mesmo desconheço sobre as coisas, fico ponderando se a ignorância é algo realmente ruim no final das contas. Afinal, criamos esse paradoxo de que o "certo" a se fazer é sempre buscar o conhecimento mas, quando o alcançamos, por vezes desejamos que não tivéssemos alcançado.

Por outro lado, também tenho a impressão de que mesmo com esse discurso de "busque conhecimento", no nosso íntimo o que queremos mesmo é evitar o stress que ele trará. É tão mais fácil viver na ignorância, tão confortável! Mas atire a primeira pedra quem concordar com isso sem admitir que é inquietante imaginar uma vida sem a busca pelo desenvolvimento trazido pelo saber. Confuso, realmente confuso...

Outra característica interessante dessa anomalia criada por nós é que ela passa praticamente desapercebida. Aqueles que são ignorantes sobre o assunto estão perdoados e os demais simplesmente a negligenciam ou chegam à conclusão de que não há solução (ou que é muito difícil encontrar uma). Nós, com toda nossa adaptabilidade, nos acostumamos com isso e paramos de nos preocupar.

Sei que é impossível saber de tudo, por isso sempre seremos ignorantes de certa forma e, além disso, existem coisas que escolhemos conscientemente não saber, não buscar, não descobrir, pra evitar sofrimento. E é assim, limitado como ser humano que sou, que continuarei vivendo: ignorante e feliz!

Made of Steel

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

SOB ORDENS DO DELICIOSO CAOS

Existem algumas regras para se viver. A mais básica é a do Ciclo da Vida, onde seguimos a sequência pré-determinada do "nascer > crescer > reproduzir > envelhecer > morrer". Temos à nossa volta diversas leis universais, ordens naturais, diretrizes sociais e uma série de obrigações que devem ser seguidas independentemente de questionamentos que possamos fazer.

Particularmente sou uma pessoa bastante ordeira, gosto de ter o controle das minhas ações e do ambiente que me cerca. Mesmo tendo consciência de que nunca serei absoluto sobre nenhum deles, é tranquilizante sentir prepotentemente que os imprevistos serão raros e geralmente minimizados. Por óbvio, tenho também meus momentos íntimos de loucura e fuga do concreto.

No entanto, assim como o dia não existe sem a noite, ou o bem sem o mal, não existe ordem sem caos. Mesmo com todas as leis e regras, a humanidade convive com o caos diário, ainda que tenha o péssimo hábito de exagerar qualquer situação menos linear classificando-a como "completo caos".

Algumas pessoas simplesmente abraçaram a desordem e levam suas vidas sem nenhum tipo de planejamento senão o de não ter planos. Apesar dos ordeiros não conseguirem ver esse estilo de vida como algo vantajoso, paradoxalmente, vez ou outra sentem uma certa inveja da liberdade que o caos traz. 

Apenas aqueles que experimentam a adrenalina do proibido, a alegria da ausência das correntes, a leveza do permitir e o delicioso gosto do prazer inusitado, sabem como essa dança espiral é envolvente e viciante. Mas não se engane pensando que tudo são flores, pois uma vida onde a dança não pára certamente não durará muito.

Made of Steel

quinta-feira, 21 de julho de 2011

DRAGÃO DA FÚRIA

Há cerca de 2 anos e meio criei um personagem que era conhecido como Dragão da Fúria. Um guerreiro que fazia parte do braço militar duma sociedade secreta que estava presente em todo o mundo. Esse grupo de soldados era chamado de Os Mil Dragões e cada membro deveria ter seu nome iniciado com "Dragão".

Quando questionado o motivo de ter escolhido o nome Dragão da Fúria, a resposta era muito mais profunda do que a maioria imaginava: a fúria é um sentimento muito poderoso que pode mudar inclusive o rumo de toda a humanidade se for usada da maneira correta. Controlá-la é uma tarefa árdua, mas fazendo isso podemos tê-la como impulsionadora de grandes feitos. Da mesma forma, negligenciar nossa fúria, reprimindo-a completamente, nos é tão destrutivo quanto libertá-la totalmente. Sendo assim, por causa dessa dualidade perigosa e seu poder inerente, dominar nossa fúria interior torna-se um objetivo de vida que necessita de vigilância constante.

Outro ponto importante nessa história está na referência ao mítico Dragão. Muitas lendas falam de criaturas como essas e sua existência está no nosso subconsciente desde os tempos mais remotos. Até hoje, inúmeros significados elevados são atribuídos a eles. Particularmente tenho uma ligação forte com dragões, sendo inclusive meu signo no horóscopo chinês, e carrego comigo todos os dias um amuleto dado de presente por um amigo que disse que eu tinha o espírito de um dragão.

Outra menção que adoro sobre dragões aprendi durante minhas aulas de Kung Fu, onde repetíamos As Sete Virtudes do Guerreiros Pacífico (fé, força de vontade, disciplina, humildade, honra, paciência e sabedoria), sempre encerrando com uma das frases que mais marcaram minha vida: "Praticando as Virtudes despertamos o Dragão interior".

Egocentrismos à parte, o nome Dragão da Fúria tem até hoje um enorme significado e importância pra mim. Tanto que busco seguir essa filosofia mista que surge da união de "dragão" com "domínio da fúria".

Porém, agora, percebo que estava cometendo o erro de suprimir totalmente minha fúria, colocando-me na defensiva, tentando não ferir as pessoas. Enquanto isso, alguns insistiram em me atacar e agredir, como se quisessem aproveitar que o Dragão que vive dentro de mim estava preso por grilhões resistentes.

Portanto fica aqui o recado: o último grilhão foi rompido. O Dragão da Fúria está de volta!

Made of Steel

sexta-feira, 8 de julho de 2011

A ARTE DE QUERER BEM

Nesse blog já escrevi sobre sentimentos diversas vezes, a maioria delas envolvendo amor. Porém, dessa vez, falarei sobre um outro que também pode ser chamado de "amor". Não aquele de amantes e apaixonados, mas um que as pessoas chamam de "amor ao próximo".

Aqueles que apenas enxergam seu egoísmo como algo a ser alimentado sem que isso traga benefícios para os demais não sabe do que se trata. Mas a grande maioria das pessoas quer (ou ao menos diz querer) o melhor para pessoas que estão próximas. Esse sentimento bom, que nos faz sentir alegria mesmo sem estarmos diretamente envolvidos, deveria ser bem menos raro, mas quando é verdadeiro só se faz multiplicar.

Ficar feliz porque vê outra pessoa feliz é uma arte, um estado de espírito. É um sentimento que está presente nas grandes amizades e outros tipos de relações sociais humanas que sequer tem nome. E esse sentimento é justamente uma das coisas que me faz acreditar que nós, mesmo essencialmente egoístas, temos a capacidade simples e pura de querer o melhor para outros.

Hoje tive um dia cheio de acontecimentos bons e, ao chegar em casa, pensei que não havia mais nada a esperar. Felizmente, estava enganado e, por causa do "amor ao próximo", todo o cansaço que sentia foi substituído por um entusiasmo tal que minha vontade é de correr e gritar! Tomara que essa sensação não se vá tão cedo!

Agora posso dizer: meu nome nesse exato momento é ALEGRIA!

Made of Steel