terça-feira, 6 de dezembro de 2016

FOLCLORE DO FOGO FÁTUO

Ela tinha nome e beleza de sereia. Praticamente uma menina, com seu jeitinho meigo e cativante. Tinha desejos de mulher, e olhava para o futuro como uma gigante, apesar do corpo pequenino.

Nos conhecemos há poucos meses, num evento com muitos desconhecidos, mas de alguma maneira nos conectamos imediatamente. Não nos envolvemos profundamente, apenas tínhamos a sensação mútua de que fazíamos bem um para o outro, e isso bastava. 

Olhos verdes, sorriso fácil e largo. Ambos muito presentes nas fotos que tirou no Domingo enquanto se aventurava na Selva de Pedra fazendo rapel numa de suas pontes. Atividade perigosa, mas feita em segurança.

Na segunda-feira, dia seguinte, ela estava morta.

Era Dia das Bruxas e, tal qual na Idade Média, uma mulher se viu atacada pelo fogo. Ironicamente, tudo aconteceu em sua casa durante a noite, enquanto todos dormiam. Atividade segura, mas que se tornou perigosa.

Fogo-fátuo é um fenômeno da natureza que pode acontecer por causa dos gases liberados na decomposição de corpos. Na mitologia, poderiam ser fadas ou até mesmo demônios que levavam desavisados para emboscadas. No nosso folclore, está relacionado ao Boitatá.

No dicionário, fátuo: 1) Que possui uma opinião positiva muito elevada de si mesmo; que se julga melhor que os demais; presunçoso; 2) Que apresenta insensatez; insensato; 3) Que não dura muito; que não permanece; transitório.

Esse fogo foi, de fato, fátuo. Presunçoso, insensato. Ceifou a vida de uma garota que ainda tinha muitos sonhos pra concretizar e tantos outros para sonhar. Fátuo também foi nosso encontro. Transitório, breve. Mas nele também houve fogo, daquele que aquece e explode de um jeito bom.

Irônico que a serpente Boitatá tenha levado embora a sereia Iara exatamente no Dia do Saci.

Fica a lição de que, assim como o fogo, nós e a vida somos fátuos. Supervalorizamos a vida e a nós mesmos, como se esquecêssemos o quanto ela é curta e nós frágeis. Ambos insensatos e que não duram muito.

Que cada instante seja pleno e, ao seu modo, eterno.

Fique bem, pequenina!

Made of Steel

terça-feira, 22 de novembro de 2016

NINGUÉM PARA USAR

Uma casa grande. Sofá macio com cinco lugares, além de poltronas e cadeiras extras. Uma TV de sabe-se-lá-quantas polegadas e uma razoável coleção de filmes. Mas ninguém para fazer companhia.

Portão automático com garagem para dois carros numa rua tranquila onde podem estacionar tantos mais. Belas portas para se abrir e janelas amplas para que entre muita luz. Mas ninguém para chegar.

Tantos copos guardados no armário. Talheres que serviriam cinquenta mãos. Pratos suficientes para um verdadeiro banquete. Mas ninguém para usá-los.

Ah... tão melhor seria se fosse um casebre abafado e mal iluminado, onde fosse preciso sentar no chão, comer com as mãos diretamente das panelas e a única atração fosse uma conversa alegre entre amigos!

Pra isso, é preciso abrir o coração ao invés de portas, iluminar com os olhos ao invés de janelas, alimentar com sorrisos ao invés de talheres. No lugar de DVDs, palavras doces. Sai o sofá macio e entra o abraço acolhedor.

Infelizmente, pra algumas pessoas, isso parece ser difícil de se fazer. Então elas continuam sem entender o que acontece, sem entender porque tudo que prepararam para receber o mundo não lhes trouxe o mundo.

"Happiness only real when shared", disse o filme. Mas, num tempo onde a primeira coisa que vem à mente ao dizer a palavra "compartilhar" é um botão virtual azul, aprender isso é uma lição preciosa.

Made of Steel

terça-feira, 8 de novembro de 2016

PÁSSARO NA GAIOLA

Hoje o Facebook recuperou a memória de um post que fiz há 3 anos onde fazia minha contagem regressiva até, finalmente, me libertar da rotina dum emprego que não era mais suportável. Naturalmente, isso me fez parar por um instante pra refletir sobre o que aconteceu desde então.

Me sentia um pássaro dentro duma gaiola que, mesmo sabendo que estava seguro e com comida garantida no pote, olhava através das grades e não conseguia desejar nada senão conhecer o mundo lá fora. Mesmo sabendo que era perigoso, abri a porta da gaiola e saí de peito aberto, confiante de que conseguiria sobreviver.

Eu me arrisquei: larguei a estabilidade do funcionalismo público para investir numa carreira artística num país onde o cenário para isso é atroz e cruel. Escolhi o duvidoso e, na minha avaliação, acertei!

Durante esse percurso, fui elogiado muitas vezes pela minha "coragem". Mas, ora, que tipo de elogio é esse? Por que é admirável que alguém simplesmente escolha seguir o caminho que te faz feliz? Que visão deturpada é essa?!

O mundo fora da gaiola é realmente selvagem, é verdade. Mas se engana quem pensa que dentro dela está a salvo. As grades não protegem de tudo: as garras dos predadores ainda passam entre os vãos e, com um breve vacilo, você pode sair ferido. Isso sem falar que, a qualquer momento, você pode ser expulso da gaiola contra a sua vontade e, então, se ver obrigado a enfrentar o hostil "lado de fora" sem estar verdadeiramente preparado.

Seja como for, acredito que seja mais fácil para quem está fora das grades perceber todos esses perigos. Então continuo aqui com meus vôos, descobrindo a cada dia como fazer para chegar inteiro ao fim dele, enquanto observo outros pássaros dentro e fora de seus cárceres.

Mas... posso confessar uma coisa? Às vezes vejo sombras de grades por lugares onde passo e fico me perguntando se, afinal, o "mundo de fora" nada mais é do que o interior de uma gaiola ainda maior.

Se realmente for, será que me contentarei com o que tenho? E se, ao transpassar mais um limite, será que não encontrarei gaiolas cada vez maiores?

Será que, algum dia, serei verdadeiramente um pássaro livre?

Made of Steel

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

ALG'UMA

Uma recepção com vidro que o separa da atendente. Dois documentos. Uma hora. Quarenta Reais. Uma chave. 38. Um corredor muito estreito. Muitas portas. 38. Uma cama. Duas pessoas.

Eram duas mesmo, uma e a outra? Ou apenas uma? Quanto à outra não há como saber, mas a uma não era uma.

Uma não era pessoa, era algo. Algo que foi uma pessoa, mas naquele instante era algo.

Quando uma vira algo? Como uma vira algo?

38. Roupas espalhadas. Nu.

Nu de corpo. Nu de vontade. Nu de querer. Nu de ser. Nu de estar. Nu de viver. Não o nu que liberta, mas o que aprisiona, que engana, que carece.

38. Olhos fechados. Sem vontade. Obrigação.

Mas quem obriga? Alguém obriga?

Erro. Raiva. Nojo. Pena. Desprezo. Do algo, não da outra. A outra não tem culpa. A culpa é da fraqueza de algo, do medo de algo, da tristeza de algo, da solidão de algo, do arrependimento de algo, da dor de algo.

Um espelho. Troca de olhares. Uma olha pro algo. Corrói.

47 minutos. Roupas. Corredor. Recepção. 38. Adeus. Obrigação. Beijo. Vazio.

A uma vira algo quando se esquece daquilo que é. O erro traz vergonha, pois envergonha todos que o vêem como uma, todas pelas quais uma se entregou de verdade, todos que acreditam nessa uma como sendo mais que apenas uma, mesmo que nenhum destes todos saiba que uma virou algo, pois a pior que pode existir é uma vergonha de si próprio.

Pelo menos o algo agora quer voltar a ser uma e, só de dar esse pequeno passo, se torna alg'uma.

Made of Steel

quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

MATUTO

Peço humilde desculpa pela intromissão, má me contáro que nessa portêra tinha tamanha formosura em formato de moça que faz quarqué história de pescadô parecê pussível!

Disseram que o surriso compete com o sol no bríio, que o chêro engana o bêja-frô e as abêia tudo. Que a voz é de sereia, e a pele má macia que um novelo de lã feito das ovêia duma fazenda intêra!

Daí eu, que sô bobo má num sô besta, vim procurá. E agora que tô aqui, vi que o que me disseram era tudo metade! A intêra é tão mais, má tão mais, que faria até anjo descê das núvi pra ispiá e querê perdê as asa!!

Sei que não sô anjo nem dotô. Sô só um matuto que tenta vivê a vida dum jeito leve e sereno. Mas, se for do seu gosto, posso lhe cedê de bom grado todo o carinho que tenho só pra te fazê feliz e garanti que, se o sol pará de briiá um dia, o mundo não vai tá danado porque vai tê teu sorriso no lugar!

Oi? Ocê diz que num pódi? Eu entendo... Ocê tem medo que eu avôe muito alto e que, numa bobiada, eu iscurregue, caia lá das artura por num tê asa de verdade e me quebre em vários pedaço qui nem vidro de leite. Afora isso, ocê ainda num tá sigura das tua própia asa e pricisa aprendê a avoá sozinha, né?

Tudo bem, moça-anjo! Num tem pobrema, não! Num sô de vidro, má já tô rachado como chão de sertão na seca por causa desse sol que num sai de cima da cachola e essas planta espinhenta que insiste em maltrará o côro!

Só lamento num tê asa pra ti ajudá a aprendê a avoá e num podê conhecê o céu contigo pra aliviá os calo dos meu pé discalço...

Seja como fô, quando tivé lá nas núvi e me vê, acene pra mim com seu sorriso que bríia como o sol, que prometo acená de volta pra tu com o meu sorriso disdentado, mas sincero!

Seja feliz, moça formosa! Igual no riacho que dá caminho pr'água corrê, a vida segue sempre! Nunca pára!

Agradeço tê cruzado teu caminho, porque nesse instante sô um matuto diferente do que era di quando cheguei aqui nessa portêra. Vô imbóra bobo como cheguei, má vendo umas cor nova nesse mundão todo!

Agora ocê me dá licença que preciso seguí meu rumo. Adeus!

Made of Steel

quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

FRANCO ESPELHO

Durante minha infância e adolescência, fui o "nerd, tímido, baixinho e gordinho que sofria bullying". Com 16 anos, cresci e emagreci. Com 17, me olhei no espelho e disse pra mim mesmo que não seria mais tímido, que mudaria meu jeito de agir para não deixar de viver o que o mundo oferecia.

Hoje, 10 anos depois, me pego novamente diante do espelho. E o que vejo?

Vejo alguém que conseguiu apenas em parte cumprir o trato que fez consigo mesmo. Alguém que realmente deixou a timidez no passado e dificilmente se vê recuar por receio de se expor, mas, também, alguém que não conseguiu viver plenamente o que o mundo ofereceu.

Sou um livro escancarado, de letras grandes, páginas largas e cheias de desenhos. Há quem ache até a capa atraente. Entretanto, nem todos conseguem ler o que está escrito, porque poucos querem ou sabem ler. As figuras são sempre coloridas e chamam a atenção. Os títulos e algumas palavras em destaque também ganham olhares. Mas o texto por várias vezes parece incoerente e as notas de rodapé não são capazes de esclarecer.

Gosto de ser quem sou hoje, de verdade. Mesmo assim, me sinto eternamente angustiado por nunca parecer ser suficiente para mim mesmo.

Conheço pessoas, ajudo pessoas, me preocupo com pessoas, me relaciono com pessoas, me entrelaço com pessoas, gozo com pessoas, divido com pessoas, sorrio com pessoas, brigo com pessoas, vejo pessoas... ainda falta!

Conheço a mim mesmo, me ajudo, me preocupo comigo, me relaciono comigo, me entrelaço comigo, gozo comigo, divido comigo, sorrio comigo, brigo comigo, me vejo... ainda falta!

Por vezes não me sinto humano... e quem está ao meu redor enxerga o exato oposto. Quanto mais me vejo vazio, mais as pessoas vêem cheio.

Será que visto uma máscara que não consigo mais tirar? Que tipo de maldição é essa que sequer me permite sentir uma lágrima escorrer pelo meu rosto? Como chamar de bênção essa armadura que me protege implacavelmente contra os golpes do mundo, mas que me priva do toque sutil, encarcera minhas dores e sufoca meu grito?

Eis a resposta: estou diante do espelho, mas não vejo.

Made of Steel
(o nome deste blog jamais fez tanto sentido quanto agora...)

quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

UM NAVIO DE NUVENS NO HORIZONTE

Existe uma cidade
Onde existe um lugar
Onde existe um penhasco
Onde existe uma pedra.

Existiu um par
Onde existiu um momento
Onde existiu um navio de nuvens no horizonte
Onde existiu um anoitecer
Onde existiu uma queima de fogos-de-artifício.

Existirá uma lembrança
Onde existirá um sorriso
Onde existirá um espaço para novas lembranças.

Made of Steel

quinta-feira, 19 de novembro de 2015

SABEDORIA DE ESTAMIRA

Sou um típico morador da cidade de São Paulo: sempre correndo, sempre sem tempo, pegando metrô, pegando ônibus, pegando carro, pegando trânsito. Vivo a cidade no seu ritmo e, muitas vezes, com seu olhar indiferente para tudo que vai além do meu próprio umbigo.

Certa vez, numa manhã qualquer, quase embarcando num ônibus no Terminal Bandeira, ouvi gritos agudos que não significavam nada em especial. O som direcionou meu olhar pra cena e vi um grupo de funcionários da Prefeitura jogando coisas num caminhão, enquanto uma moradora de rua observava, impotente, seus pertences tão simplórios sendo levados.

O que mais prendeu minha atenção não foi a indiferença de quem passava por ali, nem o modo autômato como os funcionários realizavam sua tarefa, pois já era esperado. As pessoas estão preocupadas demais consigo mesmas, e os trabalhadores estavam apenas cumprindo ordens, sem tirar qualquer tipo de prazer daquela situação.

O que me hipnotizou foi o rosto daquela mendiga e seu cântico quase animalesco. Ela não chorava, não enraivecia. Obviamente com sua razão danificada por algo que nunca saberei o que foi, aquela senhora de aparentes 50 ou 60 anos de idade se limitava a grunhir coisas ininteligíveis.

Me lembrei de Estamira, chamada por uns de "louca", por outros de "profeta", por alguns de "sábia". Fiquei imaginando o quanto daquele discurso da mendiga do Terminal Bandeira não poderia conter sabedoria, se fosse possível entendê-lo.

"A culpa é do hipócrita, mentiroso, esperto ao contrário, entendeu?, que joga a pedra e esconde a mão".

"Ó, você quer saber? eu não tenho raiva de homem nenhum. Eu tenho é dó. Eu tenho raiva do trocadilo, do esperto ao contrário, do mentiroso, do traidor. Desse é que eu tenho raiva, ódio, nojo!".

Meu ônibus começou a andar e mantive meu olhar naquela senhora enquanto pude. Uma cena triste, mas humana. Fui embora dali com a certeza de que, em pouco tempo, ela estaria lá de novo com várias outras coisas acumuladas, até que o processo todo se repita.

Seja como for, saí com a certeza de que, mesmo sem entender uma palavra sequer do que ela dizia, ela estava certa.

Made of Steel

segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

CICATRIZES OCULTAS

Agosto. Segunda-feira. Tarde. O rapaz, chamado Lucas, tinha no rosto uma expressão indiferente, senão tediosa. Na sua mão, uma pequena máquina manipulada com destreza duvidosa, mas suficiente. Cada fio que caía embalado pelo som incansável do aparelho revelava algo novo. 

Em oposição ao semblante do rapaz, eu observava atentamente cada detalhe. Queria garantir que aquele momento ficaria registrado na minha memória. Então começaram a surgir: cicatrizes. Mais do que pensei ter. Mais do que lembrava ter.

Aquela briga com minha irmã mais nova há muitos anos atrás... Aquele dia em que caí enquanto corria e acertei a quina de alguma coisa... Acho que era isso... E essa? De onde veio? E aquela?

Eram cinco no total. Das quais apenas uma tinha origem certa. As demais estavam lá para provar que as tinha vivido, mas minha mente não me dizia o que. Sensação engraçada aquela. Misto de descrença e desagrado. Desconforto.

O som findou. Meu reflexo no espelho mostrava que agora estava completamente careca. Acho que nem quando nasci tive tão pouco cabelo. Pela primeira vez em todos os meus quase 26 anos de historia, não tinha como me esconder.

Cada um daqueles fios de cabelo era ao mesmo tempo uma parte do meu ego e um pedaço da minha armadura. Desde pequeno sempre me senti tão frágil, mesmo usando de todos os recursos que dispunha para mostrar o contrário pro mundo. Agora eu estava ali, com minha armadura no chão, nu, leve. Não tinha mais motivo para me esconder. Precisava provar para mim mesmo que me bastava, sem truques, sem ego.

Passei a mão por toda a careca e senti o toque áspero dos minúsculos fios que escaparam à máquina. Olhei mais uma vez cada uma daquelas cicatrizes. São feridas que nunca fecharão completamente e, mesmo que não me lembre de onde vieram, não me importo. Eu aceito.

Uma vez ouvi a frase: "Ria, e o mundo rirá com você. Chore, e chorará sozinho". Bom.. Diante de mim mesmo naquele espelho, eu sorri.

Made of Steel

segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

INSETO NO ELEVADOR

Estava atrasado para o trabalho, só pra variar um pouco. Levantar da cama era uma batalha diária e cada vez menos tinha vontade de vencê-la. Era uma pequena morte a cada manhã.

Entrei no elevador para subir os sete andares até a minha mesa. Julguei estar sozinho, mas me equivoquei. Um pequeno inseto voava debilmente lá dentro, se lançando contra as paredes, indo na direção das diversas luzes daquele cárcere temporário na esperança de achar a saída.

Sua inteligência artrópode era limitada demais para entender o que estava acontecendo, creio eu. Será que ele é capaz de sentir pânico? Será que é preciso racionalizar o perigo para o chegar no desespero?

O painel finalmente mostra o número 7. A porta se abre e novas luzes, ainda mais intensas, levam o inseto para este novo ambiente. Um pouco mais amplo, mas igualmente confinado e mentiroso. Ele procura a luz do sol, não a lâmpada!

Durante poucos segundos, ele parecia satisfeito com seu novo espaço, mas não demorou muito para iniciar mais uma vez seu frenesi em busca de algo além daquelas paredes. Talvez ele saiba, ou apenas sinta, que sua vida de inseto é curta demais para perder tempo com lâmpadas artificiais.

Entrei na minha sala, sentei na minha mesa. Não conseguia mais ver se ele ainda estava no corredor, mas conseguia ver o sol iluminando o dia através da janela. Toquei o vidro suavemente e respirei fundo. A tela do meu computador brilhou e roubou minha atenção. Mais um dia de trabalho.

Made of Steel